A CRISE DA TIROLESA

A CRISE DA TIROLESA

O maior medo de um político é a perda da sua popularidade, ainda mais em ano de eleição onde contratos informais de apoio foram forjados a altos custos nas eleições anteriores e serão cobrados nos próximos meses. Imagine você investir pesado em um candidato, dar a ele a vitória nas urnas e isso não se refletir em votos para você em sua reeleição? Eu imagino a frustação de alguns candidatos a deputado federal e estadual paraquedistas, que contavam com um grande número de apoiadores na cidade e que estão vendo seu investimento derreter mais que lucro de empresa estatal administrada pelo PT. Empresa de ônibus nova a alto custo e sem licitação, contrato para melhorar a saúde da UPA questionado pela Justiça, pavimentação de ruas em frente a Santa Casa e Hospital Regional logo em uma manhã de segunda feira sem avisar os atingidos pela “ajuda”, a fratura exposta com o casca de bala, personagem fundamental na eleição, abrindo portas e entregando seu prestigio, inauguração de um banco floreira que não viralizou nem se multiplicou, CPI na saúde, problemas nos combustíveis, e HD desaparecido, e agora o líder do governo na camara se posiciona contra um projeto do executivo, na tribuna, em público, parece que tudo que era para dar certo dá errado nessa gestão e isso tem um custo político muito algo e demonstra uma centralização e falta de diálogo que são extremante importantes dentro da política. Ao final de minhas palestras, sempre pergunto, “Você sabe o que é COMPETÊNCIA” e dentre as várias possibilidades, a que mais gosto é que ela é a união entre Habilidade e Conhecimento, então, ao longo de nossas vidas e em nosso dia a dia, nos tornamos incompetentes muitas vezes, quando trocamos de empresa, quando trocamos de segmento, eu mesmo saí da indústria de material de construção para trabalhar em construtoras, isso gerou uma curva de aprendizado que me deixou incompetente por alguns meses até meu conhecimento sobre o setor se igualar novamente às minhas habilidades. Mas parece que na prefeitura, essa equalização está demorando mais que o previsto. Aí você parte para medidas populistas, vamos ganhar o povo, pão e circo sempre foram as melhores estratégias de curto prazo, quem não lembra do ex-prefeito soltando peixes pagos por empresários de Assis, segundo ele, em um lago onde a água impede a pesca para comer, às vésperas de uma semana santa? Mas quem se importa, votos são mais importantes que o povo, mas o que significa isso na prática quando vamos para a construção de uma Tirolesa em um ambiente aberto, sem controle e talvez sem planejamento a longo prazo? Eu concordo com o vereador, e acrescento que, acidentes geram processos e indenizações milionários contra a prefeitura, a burocracia de licitações atrasa a compra de cabos, mosquetões, capacetes e outros equipamentos indispensáveis para a segurança, a prefeitura pode não ter servidores públicos com qualificação técnica necessária e formá-los leva tempo e gera custo, equipamentos públicos ficam expostos à depredação e mal uso quando estão fechados, o caixa da prefeitura arca com seguros, exames médicos e vistorias diárias, agora imagine isso dentro de uma gestão que não está competente ainda? E mais, qual o custo mensal dessa ação? Quantos servidores terão de ser alocados? Qual o horário de funcionamento e qual pasta será a responsável? Será o COMTUR (Conselho Municipal de Turismo)? O Meio ambiente? Ou a superpasta de Obras? E pelo que sei, as contas da prefeitura estão bem justas para este e os próximos anos. Temos necessidades básicas para serem cumpridas e itens de lazer mais seguros e mais fáceis de dar manutenção incluindo o que já está sendo construído que é a quadra de areia, isso estão de parabéns, mas a Tirolesa, eu realmente só faria se fizesse parte de um complexo muito bem desenhado de estrutura de esportes radicais no local e ainda privatizando sua construção e exploração para um ente, mais apto, preparado e ágil para as correções diárias que podem ser necessárias à segurança desse tipo de equipamento. E você iria descer nessa tirolesa depois de 6 meses de funcionamento? Márcio Cavuto é Publicitário, Empresário, Agricultor, Pai da Luísa e da Melina, com MBA pela Fundação Getúlio Vargas, pós-graduado em Economia no Setor Público e em Ciências Políticas e Gestão Pública, Mestrando em Organizações Inovadoras e atuou durante anos em multinacionais, respondeu para matrizes na Suíça e Espanha e trabalhando em todos os estados do Brasil e já morou em cidades como Campinas, Recife, Salvador, São Paulo e Brasilia.