
O Vereador que decidia quem poderia ter acesso a saúde em Assis.
Ontem a Camara Municipal de Assis oficializou a saída do então vereador Gordinho da Farmácia, e o que isso demonstra para a política e para a população?
Bom, primeiro é importante entender o que aconteceu, e o motivo da condenação. Tudo foi fruto de uma ação Civil pública originada em 2017, pelo Ministério público, em que consta que o então vereador usava de sua função como coordenador da unidade de saúda da Vila Ribeiro e seu cargo de enfermeiro para trapacear e prejudicar a população escolhendo as pessoas que ele queria beneficiar para furarem a fila e serem atendidas conforme suas próprias regras.
Sim, parece errado e é muito errado, e por isso ele foi processado e perdeu seu mandato. Porém aqui vem a reflexão, um vereador de quinto mandato, que aparelhava o estado para conquistar votos e usava o bem público como se fosse seu, essa é a cara da nossa política, medíocre, oportunista e insensível.
Mas entenda, que parte dessa culpa, é do cidadão, é o brasileiro que sempre quer para sí e não para o próximo. Quantas pessoas que sabem que burlaram a fila por conta da ajuda dele, que se beneficiaram, que deixaram outras pessoas para trás que talvez precisassem até mais. Quantas pessoas podem ter morrido por conta de um exame não feito, um diagnóstico tardio.
Nós sabemos que o sistema de saúde de nosso país está longe de ser perfeito, mas as filas de exames existem, e devem ser respeitadas, mas os políticos com más intenções sabem usar bem o estado frágil e a fragilidade da população que precisa de atendimento, usando a máquina pública como se fosse privada e sendo reconhecido com votos por isso, por ser o grande fraudador de filas.
O oportunismo é da sociedade e vem sendo construído a décadas, é a famosa frase “o que Gerson vai levar” e é isso que temos de mudar se queremos uma cidade melhor, um estado melhor e um país melhor.
É a promessa de coisas fáceis, é a picanha, é a cerveja, é o atendimento prioritário na fila da saúde, tudo de forma ilusória. Porque eleger quem quer mudar o sistema, se existe uma crença que se pode usar o sistema a seu favor?
Quem sofre com isso? O próprio cidadão que ajudou a fraudar a fila, que deixou seu amigo ou vizinho sofrendo por falta de vaga, mas que um dia terá o mesmo destino, pois o mundo gira, se hoje você conseguiu passar alguém para trás, amanhã será sua vez de ser passado para trás, e aí meu amigo, não adianta reclamar, a escolha foi sempre sua.
Eu vivi isso em Brasilia, quando fui diretor do maior projeto habitacional já visto até a época, o Jardins Mangueiral, foram 8.000 unidades habitacionais, e muitos “coitadinhos” que não tinham direito, ou tinham direito para estavam mais para trás na fila, tentavam passar na frente de outras pessoas na fila tentando subornar e comprar sua vaga dentro da secretaria de habitação. Essas pessoas, são tão corruptas quanto aqueles que se vendem, mas passam por espertos, e sempre tem sua justificativa para fazer o que estão fazendo, sempre são nobres em suas causas próprias, já que o estado é perverso, ser perverso com meu semelhante é justificável. Só que não.
Quando uma pessoa começa a decidir por si só, por seu julgamento, sem regras e sem lei, quem tem direito ou não a algo público que deveria ser igualitário para todos, o estado ruiu. Pois só os seus terão direitos, e quem estiver longe do poder, morrerá nas filas. Já pensou por esse lado? Parece familiar? Parece com algo que vimos na Venezuela, na China, na Coréia do Norte? Mas é Assis, pode não parecer, mas é o mesmo conceito, para os amigos do rei tudo...
A política é coisa séria, e espero que pessoas assim não voltem nunca mais ao poder, não ocupem mais cargos públicos, eleitos ou comissionados porque “puxam” votos e que as pessoas ditas “cidadãos de bem” que furaram as filas, entendam, como contribuíram para o esquema que prejudicou dezenas de pessoas.
Será isso apenas um sonho?